• nicholaj9

A OTOA e o Vodou Haitiano

Atualizado: Jun 29

Frater Selwanga

Jean-Maine.

O fundador da OTOA e da LCN foi Lucien-François Jean-Maine, nascido em 11 de Janeiro de 1869 em Leogane, Haiti. Ele teve a sorte de viajar e encontrou a Tradição Gnóstica Francesa em Paris o que o levou a receber em 1910 o X° grau da OTO de Reuss através de Encausse. Estes dois também trocaram ordenações bispais sub conditione visando fortificar a egrégora das frações da tradição Gnóstica Francesa que possuíam. Jean-maine provavelmente também ou encontrou ou sabia sobre o trabalho de seus contemporâneos Maria de Naglowska e P. B. Randolph, o que teria sido fonte de inspiração para parte de seu trabalho.


Logo em seguida, Jean-Maine começou a segmentar seu trabalho no que ele chamou de Duas Yggdrasils, definidas pelo “Legbah Solar” e pelo “Legbah Estelar”, que era um modo dele de organizar as modalidades do trabalho mágico e oculto maior. Estes dois templos então se desenvolveram na manifestação do Legbah Solar na forma da OTOA em 1921 e na manifestação do Legbah Estelar sob a forma da La Couleuvre Noire, o Culto da Cobra Negra em 1922, a qual foi declarada como uma zobop. Uma zobop, por sua vez, é uma referência a uma sociedade secreta. Todas as sociedades secretas no Haiti eram comandadas por um “Lwa rouge”, um lwa vermelho e, no caso desta Zobop foi Bacalou Baka que foi eleito como dono da sociedade secreta. Em resumo, isto significa que todo o trabalho e toda a filosofia relativa à zobop irá se conectar em um amplo espectro com o corpo de ensinamentos deste lwa em particular. Bacalou Baka é um lwa transmorfo, mas também bastante rígido e em alguns reglement é encontrado entre os tipos de lwa conhecidos como Congo Savanne (que em alguns lakwas e facções é compreendido como um lwa por si só). Bacalou Baka também é um lwa com segredos e conexões ligados à nação dos Guedes, portanto, a LCN também lida com esta nação, mas da perspectiva dos mistérios estelares de Legbah, também conhecido como Legba Miwa nan Petwo.


Jean-Maine era um adepto extremamente criativo que possuía o que chamamos de prise des yeux, o dom dos olhos, um estado de conexão perene com o reino dos lwa que gera ao mesmo tempo clarividência e autoconsciência mística cósmica.


A OTOA foi trabalhada em sua fundação como uma loja experimental na qual o trabalho consistia na execução e experimentação de rituais Maçônicos e dos graus de Memphis e Mizraim; provavelmente os graus Kadosh eram cruciais para uma reinterpretação da OTOA assim como hoje são na Maçonaria Haitiana. Além disso, elementos Gnósticos e Eclesiásticos foram introduzidos devido ao foco no mistério da Eucaristia, acarretando em uma rede vasta de missas de dimensões mais cósmicas que foram desenvolvidas para serem utilizadas tanto como rituais por si só quanto para conferir poder e ordenações. Ocorreu que Martines de Pasquales (morto em 1777), que viveu em Leogane, fundador da Ordem dos Elus Cohens, também exerceu uma influência importante em Jean-Maine, um legado presente nos ensinamentos do Monastério dos Sete Raios e no corpo de rituais da OTOA.


Assim, podemos afirmar que a LCN serve como um culto de inspiração para a OTOA, porém como a rota de acesso aos mistérios da Lua é diferente do portão que nos leva ao reino mágico do Sol, também estas ordens são adentradas por portais separados, ainda assim, uma está em relação à outra como a Lua está para o Sol, como o eixo da Noite e o eixo do Dia.


Isto também quer dizer que a OTOA não é uma ordem no sentido Maçônico; em vez disso, trabalhamos junto de uma hierarquia celestial e holística que é mais como estrelas cintilantes na teia de uma aranha do que degraus em uma escada.


Como a La Couleuvre Noire é uma sociedade secreta, esta será naturalmente diferente do que é amplamente compreendido como Vodou Haitiano, como é o caso com todas as sociedades secretas, sejam elas a seita vermelha, zobop, bizango, sanpwel e outras nas quais o núcleo reside no que o lwa presidente e dono da sociedade representa.


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