Tumba Francesa & Tumba Haitiana

Frater Vameri

O Haiti e Cuba são vizinhos bem próximos. Portanto, não é de se espantar que tenham ocorrido trocas intensas entre estes dois territórios ao longo do tempo. A migração de Haitianos para cuba, particularmente, ocorreu de maneira bem intensa em dois momentos – enquanto o Haiti vivia seu estado revolucionário e mais tarde, na primeira metade do século XX, quando eram convocados como mão de obra. Há uma diferença significante na recepção desses dois grupos. O primeiro, geralmente chamado de “Franceses” foi mais bem aceito, o segundo, já identificado como “Haitianos”, por sua vez, foi alvo de fortes preconceitos.


Esses numerosos imigrantes vindos de São Domingos e do Haiti organizaram o que são conhecidas como as sociedades de Tumba Francesa. O nome parece remeter a algo sinistro, mas, em verdade, tumba é um tipo de tambor e de dança. O uso de tambores (em 3) e de sinos nestes grupos remetem ao Vodou Haitiano, mas a Tumba Francesa está, para todos os efeitos, interessada em fazer música. Isto, claro, não é capaz de eliminar a influência do Vodou nestas sociedades. Pelo contrário, na verdade, já que a música e a dança são elementos estruturantes do Vodou Haitiano. Vai ocorrer então, que na Tumba Francesa, elementos de diferentes ritos e maneiras de se fazer o Vodou se amalgamarão.


As sociedades de Tumba Francesa, entretanto, se tornaram mais. Depois da conturbada independência Cubana, no final do século XIX, início do século XX, muitos escravos se viram sem auxílio e a Tumba Francesa assumiu papel de auxílio mútuo. Similar ao que ocorria nos Cabildos Cubanos. É evidente que neste espirito de auxílio mútuo se desenvolvem laços como os de parentesco e que se misturam as ritualísticas religiosas. Destas, talvez a mais marcante seja a fúnebre, que envolve não só solidariedade, mas também a execução de uma Misa espiritual.


Cumpre lembrar que são nos Cabildos que o Palo Monte se forma. Poderíamos pensar que as sociedades de Tumba Francesa também atuariam como celeiros para uma religiosidade própria, mas parece que o que ocorreu foi a inserção de Houngans e Mambos Haitianos em casas de Palo Monte, onde ocorreu um cruzamento dessas tradições. Dessa mistura saíram tradições de Palo chamadas de Tumba Haitiana e também de Tuba Francesa ou ainda de Rama Haitiana.


Sabe-se, por exemplo, que os Haitianos eram conhecidos em Cuba por seus grandes poderes de feitiçaria, como nos conta Lydia Cabrera. Assim, podemos supor até mesmo que os Haitianos tenham sido convidados por brujos locais para se juntarem aos seus rituais, formando novas manifestações.


Esta foi uma breve introdução sobre algumas influências Haitianas em Cuba e vemos claramente que o Vodou está imerso nessas interações. No futuro, espero que possamos discutir com mais calma as consequências diretas disso na religiosidade.

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