• Eduardo Regis

O Laboratório Mágico da OTOA

Frater Vameri


A OTOA, como já escreveu o Frater Selwanga XVIº, não é uma ordem no sentido mais comum do termo. Sinto como se fosse um grande laboratório mágico no qual seus membros tem suas próprias bancadas e a liberdade para trabalhem como e com o que quiserem.

A liberdade de experimentação e a falta de amarras parecem ser particularmente eficazes em fazer aflorar interesses e talentos ou desconhecidos ou adormecidos. Tudo o que faz parte do nosso universo mágico e da nossa cosmovisão pessoal passa a não ser rejeitado em favor de um cenário rígido. Podemos, finalmente, colocar a mão na massa e construir algo tremendamente íntimo.


Acho o exemplo do Tau Palamas valioso. Ele escreveu um livro sobre suas reflexões pessoais acerca do Monastério dos Sete Raios (o corpo de ensinamento da OTOA). O livro se chama “Syzygy” e nele Tau Palamas descreve uma abordagem monástica e totalmente focada nos Santos Católicos. Ou seja, uma visão realmente surpreendente e única.


Outro exemplo importante é o do Tau Zendiq, Grão-Mestre da OTOA-LCN na Inglaterra e Irlanda. Seu livro “Keys to  the Hoodoo Kingdom” também revela uma abordagem absolutamente pessoal do trabalho mágico da OTOA. Em algumas das passagens, parecemos estar diante de um romance de ficção científica! Isto é maravilhoso! Demonstra como o trabalho mágico da OTOA é capaz de ser diverso e interessante.


É como coloca Nicholaj de Mattos Frisvold, o Grão-Mestre da OTOA-LCN no Brasil, quando fala do Vodoun Gnostic Workbook na introdução do livro de Tau Zendiq: “Demorou para que eu entendesse de onde vinha o Bertiaux e que ele havia simplesmente apresentado um livro de possibilidades, uma série de experimentos (…) Isto significa que o Bertiaux estava também apresentando seu trabalho como um exemplo de como o/a magista-artista pode criar seu mundo”.


Imagino que este entendimento realmente não seja de ampla apreensão. Eu mesmo posso dar meu testemunho de que foi só após uma conversa com o Frater Selwanga XVIº que isso ficou claro, mesmo depois de ter lido alguns trabalhos do Bertiaux e o livro já citado do Tau Palamas. Por isso, me senti compelido a escrever este texto, mesmo que isso já tenha sido discutido previamente nos nossos artigos.

Isto não quer dizer que a OTOA não tenha suas diretrizes e seus pilares. Claro que estas coisas existem. O que esta liberdade traz é uma oportunidade ímpar de construção e de crescimento de novos insights e de trocas mágicas significativas. Dentro desta amplitude, inclusive, fica até mais fácil perceber o que realmente nos toca e o que importa para nosso trabalho. É realmente um laboratório onde descobertas incríveis são feitas.

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