• Eduardo Regis

Como ver o invisível?

Frater Vameri


Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay



O problema com o invisível é que bem... ele não é óbvio, pelo menos não se você não tiver “olhos” especiais. Nessa dicotomia “Invisível x Visível”, o foco nos sentidos e na vida prática faz o lado “visível” pesar mais forte, geralmente. Por isso, como separar um fenômeno aparentemente mundano de um “sagrado” ou “tocado pelo invisível” (que aqui tomaremos como sinônimos)?


Há tempos o humano vem se definindo pelo embate “Visível x Invisível” e “Sagrado x Profano”. Grandes mentes pensaram essa questão exaustivamente e sociedades inteiras dedicaram seu próprio estilo de vida à, por exemplo, apagar essa dualidade. Para a pessoa ocidental contemporânea, o invisível parece cada vez um lugar mais restrito: ou a igreja aos domingos ou os contos de fadas. Entretanto, é claro que na prática as coisas se misturam, como nos apontam adesivos como “Foi Deus quem me deu” ou “O acaso não existe”. O secularismo não deu tão certo quanto pensam.


Fato é: mesmo que você encarasse que tudo na sua vida é uma comunicação do invisível (como um santo ou um iluminado talvez fizesse) simplesmente ignorar que certas coisas são apenas aleatoriedades causadas pela matriz da existência provavelmente não seria muito sábio. Afinal, tudo pode mover alguém à divindade, mas nem tudo precisa ser uma manifestação direta desta.


O que caracterizaria uma situação de manifestação invisível direta? Difícil saber. Uma série de símbolos e significados precisa ser analisada. Coisas que provavelmente só farão sentido dentro de um contexto muito específico deverão ser consideradas. Eu não poderia e não me atreveria a dar exemplos ou a tentar sugerir para alguém como exatamente isso deve ser feito. Entretanto, esse pequeno texto traz uma sugestão de exercício, que é: gaste cinco minutos do seu dia para reconhecer o que é sagrado/mágico/invisível na sua vida, como isso tem se apresentado e como você tem trazido isso para sua realidade.


Não vale muito nos dedicarmos a um caminho ou fé e não nos ocuparmos de entender como isso conversa conosco. Faça esse simples exercício e anote suas impressões. Algum tempo depois, reveja tudo que produziu e coloque isso sob sua perspectiva corrente. O resultado só poderá ser interessante e importante.

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